sábado, 6 de junho de 2009

"Estávamos prontos para algo mais tecnológico"

Em uma entrevista reveladora publicada nessa sexta-feira (5) pelo jornal norueguês Dagbladet, Mags e Paul falam da nova direção tomada pelo a-ha com o recente álbum "Foot of the Mountain". Os dois explicam por que a banda decidiu fazer um disco mais eletrônico, com poucos acordes e focado mais nos sintetizadores. "Isso é algo que eu realmente queria fazer. Synthpop inteligente, atmosférico e importante", afirma Mags. E Paul completa logo em seguida: "Todos nós queríamos fazer isso, estávamos prontos para algo mais tecnológico agora. Eu extraí os sintetizadores antigos e tentei torná-los atuais, mas acabei buscando ajuda com a parte de programação. Nós experimentamos muitas coisas diferentes durante essas gravações. Você poder tocar com as coisas que você tem feito antes, mas isso tem que soar moderno".

Na entrevista, Mags diz que, se dependesse dele, todo o álbum teria um som inteiramente eletrônico. "Eu originalmente queria que o álbum se chamasse 'Digital', contrastando com o nosso último disco 'Analogue'. Nós não temos mais 20 anos de idade, mas também não temos que soar como velhos. Não quero aceitar isso. Eu realmente queria ter nos inserido ainda mais na pura direção do synth. Se dependesse de mim, não teríamos qualquer arranjo de corda no álbum inteiro. Mas é óbvio que não posso decidir tudo sozinho nesta banda", explica o tecladista.

Paul também falou do processo criativo por trás das músicas do a-ha. "É difícil compor junto com alguém. Compor é um processo interno, e não externo. E compor e gravar são duas coisas completamente diferentes. Você pode 'ouvir' como uma música deve soar quando você a escreve, e você está sempre perseguindo esse sentimento depois", afirma Paul.

"É muito difícil ver uma canção ser completamente mudada e perder suas características através do processo de gravação e produção. Ela passará por uma série de mudanças antes de ser concluída. E é frustrante se você acaba gostando menos da edição final. Às vezes dá a impressão de que a música teve todos os seus dentes arrancados", diz o guitarrista. "Nós provavelmente poderíamos ter feito tudo sozinhos, sem nenhum produtor, mas eu acho que isso teria reduzido a expectativa de vida de cada um de nós em uns 10 anos".

Em um dos trechos mais interessantes da entrevista, Mags e Paul falam da importância de Morten dentro do a-ha. "Há muitos desejos fortes e ambições diferentes nessa banda. Você precisa ter a marreta nas mãos e lutar por aquilo que acredita. Não há razões para romantizar os conflitos como uma força criativa, ou fazer disso algo mitológico. Há um limite para tudo e nós também temos de tentar apoiar um ao outro. E o único que nós não podemos manter fora da equação da banda é Morten Harket", afirma o tecladista.

"Ele é incrivelmente importante para a nossa música. Paul e eu temos que aceitar isso. Nossa tarefa nessa banda, e a chave da grandeza do a-ha, é liberar as qualidades do Morten", completa Mags. "O excesso de confiança de Morten, e o seu modo de agir, pode se tornar esmagador. No synth ele é perfeito. Morten é uma arma fantástica de ter no seu arsenal. Mas ele tem de ser usado da maneira certa", diz.


Paul explica que em "Shadowside", por exemplo, há uma série de cinco chaves vocais diferentes que, se cantada por outros vocalistas, poderia arruinar a música. "A voz do Morten se encaixa nesse ambiente. E eu acho que ele se sente mais à vontade nele. Quando estou escrevendo especificamente para o a-ha, eu sei o que tenho que trabalhar com o vocal, quem eu posso confiar irá conseguir", afirma o guitarrista.

Ao final da longa entrevista, Morten fala do novo rumo tomado pelo grupo. "Este álbum representa uma clara decisão quando se trata de escolher uma direção específica. Temos tentado nos limitar e voltado para a sólida base do som do synth. Essa tem sido uma coisa maravilhosa de fazer. Vejo isso como uma revitalização de nós como banda", explica. "Foot of The Mountain é um disco que deixa sua marca de uma boa forma. Há mais vitalidade nesse álbum do que houve em um longo tempo de carreira. O disco pode ser ouvido quase como uma homenagem à idéia original do a-ha", afirma Mags Furuholmen.

2 comentários:

Agton disse...

Thiago muito interessante esta entrevista. Entrei no link da matéria, mas meu norueguês n está nada bom rsrsrs. Quando tiver outra entrevista não esqueça de compartilhar conosco. Abraço.

hallisson disse...

Paul explica que em "Shadowside", por exemplo, há uma série de cinco chaves vocais diferentes que, se cantada por outros vocalistas, poderia arruinar a música. "

morten deve ser o cara mesmo!
hehehe