quinta-feira, 23 de março de 2017

Em entrevista, Paul fala da dificuldade em gravar álbum no a-ha e comenta sobre o disco acústico

Foto: Krister Sørbø/VG

Paul deu entrevista na última semana ao blog SuperDeluxeEdition, especializado em música e na análise de edições de álbuns especiais. De sua casa no Brooklyn, em Nova York, ele falou sobre o difícil processo de gravação de um álbum do a-ha (“Há muita política envolvida”) e fez suspense sobre o disco acústico da banda, previsto para este ano. Paul também falou sobre o projeto Waaktaar Zoe, cujo álbum World of Trouble foi lançado no dia 24 de fevereiro, e confirmou para muito em breve o lançamento das versões de luxo do Minor Earth Major Sky (2000) e Lifelines (2002). Confira abaixo os principais trechos da entrevista dada a Paul Sinclair, editor do blog.

Eu li que Open Face (penúltima faixa do World of Trouble) quase entrou no Cast in Steel, isso é verdade?

Sim, porque os dois álbuns foram praticamente simultâneos [...] Quando escrevo eu não penso que isso tem que ser para aqui ou para ali. Então, há algumas músicas do último álbum do a-ha, Under the Makeup, Cast in Steel e Open Face, que Zoe cantou primeiro. Ainda estou pensando qual é a melhor versão. Depende do seu gosto. Elas têm uma vibração diferente.

Então você está dizendo que existe uma versão finalizada pelo a-ha de Open Face em alguma prateleira por aí, ou ela não foi concluída?

Er... Estou tentando lembrar o que aconteceu. O processo de gravação de um álbum do a-ha fica cada vez mais difícil à medida que avançamos. Há muita política envolvida...

Bem, eu ia lhe perguntar sobre isso, pois eu acho que um dos atrativos de fazer esse disco - corrija-me se eu estiver errado - é que alguém jovem e em início de carreira deve ser mais estimulante e emocionante, que diz ‘sim’ a coisas mais que os seus companheiros de banda no a-ha.

Sim. [pausa] Você sabe, é uma coisa muito diferente. O a-ha está na estrada há muito tempo e há muitos objetivos conflitantes. E nós vivemos em países diferentes, por isso é um pouco difícil ter de volta a sincronia em cada álbum e esse processo, para mim, está muito longe do final criativo das coisas, de forma que fica cada vez menos interessante. Então eu acho que muitas vezes eu mostro coisas [músicas] e se elas não entram no álbum eu não vou lutar com unhas e dentes para colocá-las mais lá.

Foto: Paal Kvamme/Aftenposten

They To Me And I To Them (sexta faixa do World of Troubleé uma canção muito antiga, não é mesmo? O que fez você tirar a poeira e colocá-la no álbum?

Sim, e isso acontece na maioria dos álbuns em que estive envolvido, seja no Savoy ou no a-ha e até antes disso, nos Bridges. É engraçado como as músicas estão ao redor e de repente chega o momento delas. Às vezes quando começo um álbum eu desenterro antigos cadernos e você descobre coisas e pensa ‘isso é legal’, daí você consegue material novo vindo daí [...]

Esse é o início de uma nova e longa colaboração ou apenas um projeto único?

Bem... nós realmente não pensamos em nada além desse (disco). Eu tenho muita música nova que estou trabalhando - tenho um álbum do Savoy que está terminado, masterizado e que sairá em setembro, então esse seria o próximo. E o a-ha está fazendo um álbum acústico neste verão e estou trabalhando em novo material que eu não sei exatamente para onde vai...

Sobre o a-ha.. Eu li em um site um tempo atrás a respeito da turnê acústica. Será uma espécie de álbum de estúdio em formato acústico?

Ainda não decidimos nada sobre isso. Sabemos apenas que faremos algo acústico [risos].

Eu li uma entrevista recentemente onde você diz que não estava muito feliz com alguns recentes lançamentos do a-ha. O que você quis dizer com isso?

É principalmente o processo no qual nós mesmos nos inserimos, que parece ser desnecessariamente árduo. Eu acho que tentamos nos encontrar cada vez que fazemos um disco, mas fica complicado. E com o último álbum (Cast in Steel) não passamos muito tempo juntos no estúdio, o que eu não gosto de forma alguma. Acaba sendo um monte de gente diferente fazendo coisas diferentes em lugares diferentes [...]

Foto: Paal Kvamme/Aftenbladet

O problema é que há muitos produtores, muitos compositores? Antigamente você escrevia boa parte das músicas e uma pessoa geralmente produzia o álbum. Existem muitas pessoas tentando influenciar os elementos criativos?

Sim, mas eu não me incomodo com discussões ou disputas enquanto estamos em um mesmo espaço. Você quer ouvir uma música dessa forma? Então vamos tocá-la agora mesmo, aqui. Depois a gente toca do meu jeito e você vai ouvi-la na mesma hora, ao invés de se transformar em um interminável vai e volta, com outras cinco pessoas... acaba virando mais uma coisa política. Portanto, eu gosto de manter o cara a cara e quaisquer opiniões que as pessoas tenham, que tenham no mesmo espaço. Era assim como fazíamos no início e, embora tivéssemos os mesmos argumentos naquela época, pelo menos a gente terminava de uma forma onde todos ficavam satisfeitos.

Isso significa que outro álbum de estúdio do a-ha é algo improvável?

É sempre provável. Você sabe que não há menos talento agora do que antes, então precisamos nos forçar a trabalhar juntos. Precisamos voltar para um estúdio, um produtor e lá martelar.

E qual é a ideia por trás dessa turnê acústica? Fazer algo apenas um pouco diferente sob a bandeira a-ha?

Nossas músicas costumam ser feitas no violão ou em piano acústico, então elas são sempre muito bem transformadas para qualquer forma que você queira dar - e isso tem sido algo que as pessoas diriam: ‘Vocês deveriam fazer um álbum acústico’.

Isso significa que vocês vão tocar em lugares menores, mais intimistas?

Até agora parece que vai ser do mesmo tamanho [normal], portanto será um desafio.

Podemos esperar pelo relançamento do Minor Earth Major Sky e Lifelines em um futuro não muito distante?

Sim.

Minor Earth Major Sky foi o álbum de 'retorno' de vocês. Como você analisa esse disco?

Eu tenho ótimas recordações desse álbum. Um período bom, muito material. Deve haver algumas boas gravações nesses lançamentos. Lifelines foi um pouco mais trabalhoso. Tentamos trabalhar com cinco ou seis produtores diferentes, de modo que esse foi o primeiro álbum onde tudo estava espalho em vários lugares diferentes. O lado bom disso é que você acaba com toneladas de diferentes versões e gravações que você pode usar em um relançamento.

Um comentário:

silvania franca disse...

espero que deixem a política de lado e façam o album... pensem em nós fas...